Sem categoria › 14/10/2015

HOMILIA – NONO DIA DA NOVENA DE SANTA TERESA DE JESUS

Entrando no Castelo Interior

 

Chegamos ao fim de nossa novena e hoje vamos refletir sobre um tema importantíssimo dentro da espiritualidade teresiana: o tema do Castelo Interior

* Santa Teresa compara a alma humana a um castelo feito de diamante belíssimo com muitos cômodos. No centro do castelo está Deus.

* Ela escreveu o Livro das Moradas (ou Castelo Interior)  quando já tinha alcançado a maturidade humana. Tinha 62 anos e era uma mulher experiente na vida espiritual. Estava na plenitude de sua relação profunda com Deus. Esse livro é um tratado da vida espiritual, um dos mais importantes que temos na literatura cristã.

* Segundo Teresa, Deus está dentro de nós e devemos procurá-lo com empenho, através de uma vida intensa de oração. Esta certeza da inabitação de Deus é algo que ela adquire por experiência própria “Vinha-me de súbito tamanho sentimento da presença de Deus que eu de maneira alguma podia duvidar que o Senhor estivesse dentro de mim ou que estivesse toda mergulhada n’Ele” (V 10,1).

* Cada morada expressa um grau de interiorização ou de humanização da pessoa, mas também diz respeito a um nível de intensidade de relacionamento com Deus e de Deus com a pessoa: são sete graus de vida ou de comunhão do ser humano com o Divino.

*

Primeiras Moradas: Entrar no castelo de si mesmo. Conhecer-se a si mesmo. A porta de entrada é a oração. A oração nos leva a tomar consciência da própria interioridade. Iniciar uma relação pessoal com Deus.

Segundas Moradas:  Lutar contra as desordens presentes interiores. Ser fiel à oração. Ter uma determinada determinação para não cair no desânimo. Progredir na escuta da Palavra de Deus.

Terceiras Moradas: Nível mais alto do esforço da vida de oração (ascese). Muita aridez e impotência. Submeter-se à prova de Amor. Superação do egoísmo

Quartas Moradas: Período de transição. Ingresso na vida mística, porém intermitente. Vida nova que brota da fonte interior

Quintas moradas: Simbolismo do Bicho da Seda. O homem  renasce em Cristo. Estado de união e conformidade com a vontade de Deus (que se manifesta especialmente no amor ao próximo)

Sextas Moradas: Novo modo de sentir os pecados. Profusão de fenômenos místicos. Supremo crisol do amor.

Sétimas Moradas: Matrimônio Místico> Fome de Deus. Plena inserção na oração e no serviço à Igreja (obras quer o Senhor). Comunicação plena da Trindade à alma humana.

 

Santa Teresa nos convida a fazermos o mesmo caminho espiritual que ela fez. O Livro Castelo Interior (ou Moradas) é fruto de sua própria experiência espiritual.  Todas as coisas escritas foram, em primeiro lugar, vividas por ela mesma.  E assim ela quer facilitar o nosso caminho de encontro e comunhão com Deus. Teresa sabe que o toda pessoa é capaz de entrar em profunda comunhão com Deus, mas para isso é necessário percorrer um caminho espiritual que passa por diversas etapas.

 

A oração é um vínculo de afeto e amizade com Deus. É a porta de entrada para o Castelo Interior. Nossa oração tem sido realizada corretamente?  Teresa diz que em nossa oração “ o essencial não é pensarmos muito, mas amar muito” (4M 1,7). Pensar muito significa usar nossa capacidade intelectiva, racional, dominarmos e conduzirmos a nossa oração pela nossa razão e pensamentos.  A oração deve ser um trato de amizade. Portanto está mais na linha do afeto, de abandonar-se nas mãos de Deus, de sentir realmente sua presença em nós. De silenciar nossa razão (pensamento) e entregarmo-nos ao delicioso desfrute do encontro de nossa alma com o próprio Senhor. Estamos conseguindo encontrar com o Senhor, sentir de verdade essa presença real de Deus em nossas orações ou ainda ficamos preocupados em recitar fórmulas e mais fórmulas de preces devocionais? Para isso é fundamental uma vida de oração e silêncio interior. Muitas pessoas tem verdadeiro medo do silêncio. O silêncio é o lugar privilegiado da comunicação com Deus.  No silêncio Deus nos fala com maior intensidade. Como é que nossa oração pode ser um diálogo se o tempo todo estamos enchendo de palavras, pedidos, louvores… e não deixamos um tempo de escuta da voz de Deus? Por isso fazer silêncio não é apenas ficar de boca calada. Mais do que isso, fazer silêncio é abrir nosso ouvido para escutar a voz de Deus que nos fala no silêncio.

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Frei Marcos Matsubara

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