Sem categoria › 17/10/2015

CANONIZAÇÃO DOS PAIS DE SANTA TERESINHA

O testemunho de vida de Zélia e Luis Martin, um matrimônio exemplar para a Igreja

Extraído da carta do P. Saverio a toda a Ordem por ocasião da canonização dos pais de santa Teresinha

Este domingo próximo 18 de outubro, na praça de S. Pedro, o papa Francisco inscreverá solenemente o casal Luis Martin e Zélia Guerin, pais de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, no cânone dos Santos, que a Igreja propõe como exemplos de vida cristã aos fiéis de todo o mundo, para que se tornem fonte de inspiração e companheiros de caminho dos quais recebe impulso, luz e conforto.
Parafraseamos alguns dos elementos que oferece o P. Saverio, Geral da Ordem, na carta dirigida a toda a Ordem da experiência dos esposos Zélia e  Luis Martin, verdadeiro dom para toda a Igreja, um grande regalo também para o Carmelo.

O dom dos filhos: «desejava ter muitos, para que cresçam para o céu»

Foram nove os filhos que nasceram da sua união enchendo de alegria as suas vidas: «Quando tivemos os nossos filhos, as nossas ideias mudaram um pouco: não vivíamos mais do que para eles, esta era a nossa felicidade e não a encontramos senão neles. Enfim, tudo nos resultava felicíssimo, o mundo não nos era mais um peso. Para mim era a grande retribuição, por isso desejei ter muitos, para criá-los para o Céu. Entre eles, quatro estão já bem instalados e os outros, sim. E os outros andarão também para aquele reino celeste, cheios de maiores méritos, pois terão combatido mais tempo» (Cartas familiares 192).

Vida de família, caminho de santidade

A aspiração de Zélia à santidade, para si e para os próprios queridos, era constante, mesmo no conhecimento das próprias limitações e do tempo perdido: «Quero fazer-me santa: não será fácil, há muito que desbastar e o tronco é duro como uma pedra. Teria sido melhor iniciar antes, enquanto era menos difícil, mas, enfim, “é melhor tarde que nunca”» (Cartas familiares 110). Escreve ao irmão:  «Vejo com prazer que és muito estimado em Lisieux: estás para tornar-te uma pessoa de mérito; fico feliz por isso, mas antes de tudo desejo que tu sejas santo» (Cartas familiares 116). Também diante da filha de carácter difícil, Leônia, na escola haviam definido  “uma menina terrível”, mesmo no penoso conhecimento dos seus grandes limites  – «a pobre menina é coberta de defeitos como de um manto.  Não se sabe como tomá-la » (Cartas familiares 185) – não falta a confiança alimentada da fé na bondade de Deus e do abandono ao seu desígnio de salvação: «O bom Deus é assim misericordioso como sempre esperei e espero ainda» (ibid).

Amor de Deus, amor do próximo

Conhecemos bem, pelo testemunho de Santa Teresinha, a grande intimidade de Luis com Deus e como esta transparece no seu rosto: «às vezes os seus olhos faziam-se lúcidos de comoção, e ele se esforçava de conter as lágrimas; parecia não estar mais ligado à terra, tanto a sua alma se imergia nas verdades eternas» (Manuscrito A, 60); «bastava-me olhá-lo para saber como rezam os santos» (Manuscrito A, 63). Durante a sua doença, nos momentos de conhecimento, embora sentindo-se humilhado, Luis repetia: «Tudo para a maior glória de Deus!»

Então «o amor a Deus, quando existe, é inseparável do amor ao próximo». Quanta dedicação, quantos sacrifícios, «ad intra» e «ad extra». Quando o coração está habitado por Deus, a pessoa abre-se em todas as direções: na   partilha da própria mesa, procura de cuidados e de um leito para o mendigo, na preocupação de dar o conforto com a proximidade sensível de Deus no momento da morte encontrando um sacerdote, na generosa ajuda econômica um irmão em dificuldade, no prazer em estar ao serviço da alegria do outros, na solidariedade com o sofrimento de quem é atingido por um luto, na visita aos enfermos.

A beleza extraordinária das coisas ordinárias

A grande mensagem que nos trazem os esposos e a família Martin… é saber descobrir na vida de família a beleza extraordinária das coisas ordinárias, quando a própria história vem recebida das mãos de Deus e a oferecemos a Ele, com a serena certeza que «a coisa mais sábia e mais simples em tudo isto é de abandonar-se à vontade de Deus e de preparar-se de antemão a levar a própria cruz o mais corajosamente possível» (Cartas familiares 51),

A família, «comunidade que sabe acompanhar, festejar e dar fruto»

Olhando para os cônjuges Martin e aos frutos visíveis de santidade do seu ser um só coração e uma só alma, nos damos conta que, aprendendo a comunicar, tornamo-nos «comunidade que sabe acompanhar, festejar e frutificar», e compreendemos que «a família mais bela, protagonista e não problema, é aquela que sabe comunicar, partindo do testemunho, a beleza e a riqueza da relação entre homem e mulher, e daquele entre pais e filhos» (Mensagem do Santo Padre Francisco para a 49a Jornada Mundial das Comunicações Sociais, 17 de maio 2015).

Deus queira que o testemunho deste casal nos permita entrar criativamente no caminho que a Igreja está traçando, convidando-nos a redescobrir a família como elemento imprescindível para a evangelização e como escola de humanidade.

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