Sem categoria › 21/07/2016

A CHUVA DA MISERICORDIA NOS ENCHARQUE PARA SEMPRE – Frei Patrício Sciadini, ocd.

A CHUVA DA MISERICORDIA NOS ENCHARQUE PARA SEMPRE

Frei Patrício Sciadini, ocd.

Este ano é especial para cada um de nós. Não só para a Igreja, mas para a humanidade. Hoje o que o Papa diz não é mais só para o grupo dos que se chamam católicos, mas sim para toda a humanidade. Os grandes chefes de Estado não se envergonham de ser “antenas de repetição” das palavras do Papa Francisco. Sua palavra corre veloz, sem fios, e alcança os lugares mais distantes e distintos do mundo. Seus escritos são lidos, meditados, abertamente e na calada da noite. Há muitos que, como Nicodemos, tendo medo de ir de dia a falar com o Papa Francisco por medo de serem criticados, vão no silêncio da noite.  Pode ser que não na Casa de Santa Marta, mas escutando suas palavras para depois poder, com outro invólucro e papel de embrulho, anuncia-la aos próprios povos.

Não há tema que nestes três anos de pontificado o Papa não tenha  abordado, direta ou indiretamente. Vamos só lembrar alguns: a família, a política, a moral sexual, o escândalo, a máfia, a corrupção, a biologia,  ecologia,  infância  abandonada, a riqueza exagerada, a corrida  para o poder não para servir, mas para dominar. O lucro desonesto, a mentira, os pobres, a violência, os problemas religiosos, a perseguição contra os cristãos e contra as outras religiões. E, perguntado  não faz esperar, sua  resposta simples, linear, franca. Um Papa que não se esconde atrás das “vestimentas sagradas  e do culto da personalidade”.  Todos  são atingidos pela sua palavra e  particularmente pelo seus gestos  humanos, simples, que vão do sorriso à troca  do solidéu, a receber nos braços uma criança, a abraçar um doente, a dar um beijo e apertar as mãos que se esforçam para tocá-lo. Desce do papamóvel  e caminha no meio do povo, como num grande oceano de humanidade.

Precisa do povo, de viver no meio do povo, para “não enlouquecer” e não ficar deprimido. Neste ano nos fala em todos os momentos de amor e de misericórdia. E repete e grita com toda sua voz profética, que não há pecado que Deus não possa perdoar. Que Deus não tem medo do pecado, que ele nos abraça e nos beija, nos ama e nos manda amar a todos. Devemos libertar o coração de todo ressentimento, de ódio contra seja quem for. E que Deus tem um carinho particular para com os pobres, os pequeninos. A misericórdia é uma chuva, uma enchente que não para e que deve encharcar todo o nosso ser, e nós somos chamados a correr pelas estradas do mundo, proclamando para todos que Deus é amor e bondade. A misericórdia que se faz coragem de ser nós mesmos e de anunciar com a vida a nossa fé, sem medo. Somos cristãos não de “agua de colônia” e nem tampouco de “panificadora de doce”, mas  somos chamados a ser cristãos seguidores  de Jesus, que encarnam suas palavras,  seu amor no dia a dia. Peregrino, como Francisco de Assis, corre pelas estradas do mundo, pobre e simples.

A misericórdia que o Papa Francisco encontra na leitura de Teresa do Menino Jesus que, com sua simplicidade  nos fala do amor de Deus Pai, e, como ela,  fala das coisas simples  e que Deus quer não tanto as nossas obras, mas os nossos desejos. A misericórdia não se compra na farmácia e nem no supermercado, mas sim ficando horas e horas de joelhos diante do tabernáculo, na oração. Só quem reza toma consciência que é pecador, que necessita de misericórdia e de amor. Ser misericordioso é tomar a decisão de não julgar o coração do outro. Devemos e somos obrigados a julgar as ações dos outros, mas nunca o coração. Nós vemos as aparências, mas quem vê o coração é só Deus e no sacrário do coração sempre vence a misericórdia e nunca a lei. Encharquemo-nos de misericórdia e vamos por aí pingando misericórdia com todos e sempre.

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