Sem categoria › 25/04/2016

01 DE MAIO – O CARMELO COMPLETA 10 ANOS DE FUNDAÇÃO NA ARQUIDIOCESE DE GOIÂNIA NA CIDADE DE TRINDADE

Um pouco de História

Como padre e como bispo, sempre me interessei pela vida contemplativa. Além disso, Deus foi tão generoso que chamou minha irmã Teresinha para o Carmelo. Devido aos muitos trabalhos que sempre tive, poucas vezes fui visitá-la. Mas o apreço pela vida contemplativa só foi crescendo. Quando bispo em Ipameri, abrimos uma casa de oração, em Goiandira, para as Irmãs Franciscanas de Allegany, que têm um ramo de contemplação, por um período curto. Foi uma iniciativa abençoada, mas que durou poucos anos. Devido ao pequeno número das Irmãs e a muitas obras apostólicas delas, não foi possível continuar.

Já, como Arcebispo de Goiânia, ao pregar um retiro para as Carmelitas de Passos, veio-me de novo a ideia e a possibilidade de abrir um Carmelo na Arquidiocese. Mas a ideia ainda não estava madura. Mais tarde, sendo minha Ir. Teresinha a coordenadora de um conjunto de Carmelos (Associação São José), trocamos ideias sobre essa possibilidade. A semente parecia estar germinando. Com o passar do tempo, pedi a ela que me ajudasse a fundar um Carmelo na Arquidiocese. E marcamos uma data para que ela viesse a Goiânia para escolhermos o local. Veio. E nós olhamos um terreno na Arquidiocese, junto ao Seminário Santa Cruz. Pensei que lá haveria a possibilidade de um capelão, para a Missa diária. Mas, como os padres do seminário, na época, eram poucos, veio-me o pensamento de optar por Trindade.

Telefonei ao Reitor do Santuário. Naquela ocasião era o Pe. Vicente André. Ele se entusiasmou pelo assunto. Fui com Ir. Teresinha a Trindade. Lá, o Pe. Vicente nos mostrou dois terrenos. Um, fora da cidade que precisaríamos comprar, o outro, na cidade, que o prefeito poderia doar. Não os achei convenientes. O primeiro, muito fora, e o outro pequeno e acidentado. Fomos a seguir à Vila São Cottolengo para tomar um lanche. Irmã Marilsa nos acolheu muito bem, manifestou também um grande entusiasmo pela vinda do Carmelo. Foi aí que me veio à mente a possibilidade de construir o Carmelo, em área da Igreja, desmembrando uma área de 10.000m² do terreno do Cottolengo. O terreno todo da Vila já é da Igreja, cedido em comodato, às necessidades da Vila. Pedi, então, à Madre Marilsa que nos desse a área necessária para o Carmelo e ela concordou imediatamente. Fomos ver o local e achamos oportuno tirar a área, na extremidade do terreno para, em nada, prejudicar o “Cottolengo” e assim se fez.

Daí em diante, caberia a Madre Teresinha providenciar as Irmãs, e a Arquidiocese ficou responsável pela construção do prédio. Comecei uma pequena campanha para a construção e abri no Banco uma conta para esse fim. Sonhava que seria muito fácil. O Padre Provincial Redentorista, Pe. Fábio Bento da Costa, acolheu a ideia com alegria. Estávamos renovando o convênio entre a Arquidiocese e a Província Redentorista para a direção do Santuário e da Paróquia Divino Pai Eterno. Colocamos uma cláusula em que o Santuário seria responsável pela conservação do Carmelo e manutenção das Irmãs, naquilo que fosse necessário.

Estava chegando o momento em que, pela idade, eu deveria renunciar ao pastoreio da Arquidiocese. Numa conversa com o Sr. Núncio Apostólico, ele me disse que não deixasse dívidas. Assim, não tive como começar a construção. Avisei a Madre Teresinha. Ela já tinha conseguido a adesão de algumas Irmãs para a fundação. Com espírito de fé, acolhemos a realidade, esperando a hora de Deus.

Quando Dom Washington assumiu o pastoreio da arquidiocese, Irmã Teresinha escreveu a ele, perguntando se desejaria a fundação. Ele acolheu a ideia e encarregou o Pe. Éverson de Faria Melo, então Reitor do Santuário, a levar o assunto à frente.

Pe. Éverson insistiu para que as Irmãs viessem para uma casa provisória e que, assim, seria mais fácil levantar os recursos. O Sr. Arcebispo lançou a pedra fundamental da construção. Vieram algumas Irmãs de Passos para essa solenidade. E, aí, juntamente com o Pe. Eduardo Luiz Rezende, C.Ss.R., foi sugerido uma planta para o Carmelo. Uma anterior não satisfizera às finalidades da obra. Lentamente o projeto andou. Parecia até que não ia adiante. O Reitor do Santuário foi mudado e veio o Pe. Robson de Oliveira Pereira para a missão. Um fato interessante: no dia em que faleceu D.ª Nilda, que era uma das mais empenhadas na fundação, dois Padres Redentoristas vão a Passos e animam a comunidade carmelitana para se preparar para a vinda para Trindade.

A seguir, com a aprovação de Dom Washington, as Irmãs aceitam vir para uma casa provisória. A senhora D.ª Valdivina Campos ofereceu gratuitamente uma casa grande, vizinha da Matriz do Divino Pai Eterno, para essa finalidade. As Irmãs vieram e foram acolhidas pelo Sr. Arcebispo, na Igreja Matriz (o chamado “Santuário velho”) em uma santa Missa. Vieram Irmãs de vários Carmelos para esse dia festivo. Estava aberto o Carmelo da Santíssima Trindade e da Imaculada Conceição de Trindade, abençoada missão contemplativa na Arquidiocese de Goiânia.  A presença da comunidade fundadora, oito Irmã Professas e duas noviças, se instalou na residência provisória. Ali permaneceram por mais de três anos. Foi eleita a primeira Priora, Madre Marinalva.

Pe. Robson deu continuidade à construção. Aqui houve outro fato interessante, coisas da Providência. As obras continuavam lentas. Um dia, Pe. Robson procura as Irmãs e lhes diz que poderiam se preparar para a mudança porque um benfeitor assumira arcar com todas as despesas da construção. Quem foi esse benfeitor? Eu suponho que seja…, mas não posso afirmar com certeza. No dia determinado pelo Pe. Robson, com aprovação do Sr. Arcebispo e da Madre Priora, em uma solene Missa presidida por Dom Washington, com a participação de vários sacerdotes, inaugurou-se o Carmelo, que foi abençoado por Dom Washington.

E aí está o Carmelo, ao lado da Vila São Cottolengo. São as bênçãos do Divino Pai Eterno, no seu Santuário, o nosso Carmelo. Já são anos de bênçãos para a Arquidiocese, graças só conhecidas do coração de Deus.

Agora, já consolidada a fundação, chegou a hora de pedirmos a Deus muitas e santas vocações para o Carmelo e agradecer a Deus toda a chuva de graças que tem irrigado a Arquidiocese, especialmente o nosso clero.

Glória seja ao Pai, glória seja ao Filho, glória seja ao Espírito Santo, seu Amor também. Ele é um só Deus, em Pessoas três, agora e sempre e sempre. Amém.
Dom Antonio Ribeiro de Oliveira.

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